Carnaval Carnal x Carnaval com Cristo
Partindo da Carta dos Romanos “os que são segundo a carne inclinam-se para as coisas da carne; mas os que são segundo o Espírito para as coisas do Espírito. Porque a inclinação da carne é morte; mas a inclinação do Espírito é vida e paz”. (Rom. 8, 5-8,12-14 ). Porquanto a inclinação da carne é inimizade contra Deus, pois não é sujeita à lei de Deus, nem em verdade o pode ser; e os que estão na carne não podem agradar a Deus.
Portanto, irmãos, somos devedores, não à carne para vivermos segundo a carne; porque se viverdes segundo a carne, haveis de morrer; mas, se pelo Espírito mortificardes as obras do corpo, vivereis, pois, os que são guiados pelo Espírito de Deus, esses são filhos de Deus.
O carnaval, para surpresa de muitos, é um fenômeno social anterior à era cristã. Assim como atualmente ele é uma tradição em vários países, na Antigüidade, o carnaval também foi praticado por várias civilizações. No Egito, na Grécia e em Roma, pessoas de diversas classes sociais se reuniam em praça pública com máscaras e enfeites com o objetivo de desfilar, beber vinho, dançar, cantar e se entregar as mais diversas libertinagens.
Nos próximos dias, celebraremos o carnaval. É bom, portanto, fazermos, desde já, uma reflexão sobre a alegria, este dom maravilhoso de Deus que restaura nossas forças e nos lembra a dignidade de nossa criação e de nossa redenção. A tristeza leva-nos às profundezas da terra, a um lugar inóspito, como lamentava Jó, “para o país onde a aurora é noite negra, onde a sombra da morte cobre a confusão, e onde a claridade é escuridão” (Jó 10,22), onde não há ordem e habita o eterno horror. O coração do homem, do cristão, deve sempre transbordar de alegria pelo reatamento da união entre a humanidade e o Deus que nos criou à sua imagem e semelhança, pela salvação que nos foi dada em Cristo Jesus.
A alegria e a festa devem ser pessoal e coletiva. Pessoal, enquanto sabemos que Deus nos ama e sempre nos acolhe, mesmo quando deixamos de lhe ser fiéis. Mas também coletiva, enquanto povo santo pela redenção realizada por Cristo. Os dias de carnaval deveria nos conduzir à alegria do corpo e do espírito, pois se fomos criados do limo da terra, temos também em nós insuflado o Espírito de Deus e recebemos este mesmo Espírito pelo qual podemos chamar a Deus de Pai.
Mas para muitos o carnaval é simplesmente a festa da carne, onde muitos se entregam as coisas vãs e se esquecem do corpo que é o templo vivo do Espírito, deveriam ser também dias de partilha com os que nada têm, e com aqueles que têm o coração vazio. Repartir o pão sabendo conter os gastos excessivos e repartir a esperança para todos aqueles que, perdida a fé, se entregam aos excessos das bebidas e das drogas e à dissolução moral, fazendo assim, as pessoas estariam se preparando para o momento que a Igreja oferece que é a Quaresma, tempo de graça para buscar uma profunda conversão.
Infelizmente o carnaval se tornou uma festa pagã, onde o que vale é o luxo e a luxúria, no incitamento ao pecado e no completo esquecimento da miséria que se abate sobre grande parte do povo, até mesmo daqueles que, à falta de opções, só lhes oferecem o “circo”. Cristo é sem dúvida a melhor opção para qualquer tempo. Festejar com Cristo é se entregar de corpo e alma na alegria de ser amado por Deus.
Que o povo saiba aproveitar esses dias de pausa, mas que vivam segundo Deus quer que vivamos buscando a santidade. Não se pode achar que nesses dias de carnaval, são os últimos dias, onde muitos se entregam a tudo e se esquecem de Deus. Lembre-se, Cristo é a melhor opção.
Pe. Marcelo Antônio dos Santos
Paróquia Nossa Senhora de Fátima (Adamantina/SP)